Filosofia

A origem da Filosofia: passagem do mito ao logos

Redação umCOMO
Por Redação umCOMO. Atualizado: 22 abril 2026
A origem da Filosofia: passagem do mito ao logos
Imagem: definicionabc.com

No século VI a.C., em Mileto ou Ásia Menor (Grécia), começa a ser desenvolvido o pensamento racional. O homem grego, primeiro em toda a cultura ocidental, entra em contato com novas culturas, novas formas de pensamento e de compreensão do mundo, o que lhe provoca uma crise de valores. Este homem é o primeiro a perguntar-se que sentido tem tudo, qual é o pensamento correto e como podemos explicar a realidade. Influências de outras possibilidades de vida fazem com que a Grécia comece a se colocar novos desafios, novas formas de ver a vida e de explicá-la. Este momento é conhecido como a passagem do mito ao logos, que vamos lhe explicar aqui em umComo.com.br.

Também lhe pode interessar: Filósofos mais importantes
Índice
  1. Mitos
  2. A palavra
  3. A palavra e o logos
  4. A pólis
  5. A physis ou natureza
  6. Homero e Hesíodo

Mitos

"Mythos" era a narração através de palavras que os gregos usavam até aquele momento para explicar tudo o que os rodeava. Eram narrações realizadas por poetas, em geral de forma oral, nas quais se contava como os deuses davam sentido ao mundo, isto é, como através da figura dos deuses ocorria tudo o que era narrado nestas histórias. As narrativas mitológicas não eram apenas histórias de entretenimento, mas também serviam como uma forma de preservar e transmitir tradições culturais e valores morais entre gerações. Elas formavam a base da educação cultural e religiosa da sociedade grega primitiva.

A palavra

Graças ao diálogo que os gregos daquela época mantinham com seus visitantes, começaram a se desenvolver as primeiras formas de comunicação com culturas diferentes e, até aquele momento, distantes para este povo. Graças ao diálogo por meio da palavra, começou a origem do pensamento. O intercâmbio cultural promoveu a diversidade de ideias e, com isso, possibilitou a formação de um ambiente intelectual propício ao questionamento e à reflexão crítica sobre as verdades estabelecidas. Esse contexto foi crucial para o surgimento do pensamento filosófico e científico, que buscava verdades universais por meio da razão e da observação.

A palavra e o logos

Depois do contato que os gregos tiveram com outras culturas, a forma de ver a vida mudou. Tornaram-se conscientes da insuficiente explicação da palavra religiosa que inundava o mito. Agora, a palavra que explica o porque de tudo é uma palavra carregada de racionalidade. O homem pensa, pesquisa e decide por si próprio como explicar a realidade. Este novo discurso racional é conhecido como "logos". O logos não apenas representava um avanço intelectual, mas também trouxe uma nova forma de organização social, onde o debate público e o pensamento crítico começaram a ganhar espaço nas decisões coletivas, influenciando a política e a ética.

A pólis

Forma de agrupar-se socialmente dos gregos durante o século XIII a.C: pequenas cidades fechadas com economia agrícola e hierarquia política marcada, completamente autônoma e independente. No século VIII a.C, o comércio provocou excesso na população e fortes colonizações, transformando a antiga pólis em cidades abertas, o que permitiu a evolução do pensamento e da cultura em geral. As pólis tornaram-se centros de intercâmbio cultural e comercial, promovendo o desenvolvimento de novas ideias e a difusão do pensamento filosófico. A estrutura política das pólis, baseada na participação cidadã, também influenciou o desenvolvimento do pensamento democrático e a valorização do debate racional.

A physis ou natureza

O homem começa a ter consciência e a observar como se origina a vida, mas também como ela desaparece. Isto leva-os a colocar-se questões relevantes e à necessidade de criar as primeiras teorias físicas que expliquem a origem da natureza e sua mudança. Questionar a natureza passou a ser uma prática comum entre os filósofos pré-socráticos, que buscavam entender o princípio fundamental (arché) de todas as coisas. Essa busca levou ao desenvolvimento de conceitos fundamentais em ciência e filosofia, como a ideia de elementos básicos e as leis que regem o universo.

Homero e Hesíodo

É indispensável a leitura destes poetas gregos que nos exemplificam como eram os mitos, a forma de explicação religiosa. Obras de beleza inigualável que mostram o antecessor do pensamento racional. As epopeias de Homero, como a "Ilíada" e a "Odisseia", e os poemas de Hesíodo, como "Teogonia", não só oferecem insights sobre a mitologia grega, mas também refletem os valores e as crenças da sociedade da época. Essas obras serviram como ponto de partida para o desenvolvimento da filosofia, ao mesmo tempo em que preservavam a tradição oral e a cultura mitológica dos antigos gregos.

Se pretende ler mais artigos parecidos a A origem da Filosofia: passagem do mito ao logos, recomendamos que entre na nossa categoria de Educação e Formação universitária.

Conselhos

  • Levar seriamente em consideração as condições sociais e políticas, verdadeiras responsáveis por esta mudança. A transição do mito ao logos foi facilitada por um ambiente que incentivava o pensamento crítico e a troca de ideias, crucial para a evolução do pensamento filosófico.
  • Considerar a lenta passagem do mito ao logos: foi uma evolução que levou séculos para ser realizada. Esse processo gradual permitiu que o pensamento racional se estabelecesse como uma forma legítima de compreender o mundo, substituindo gradualmente as explicações mitológicas e religiosas.
  • A Física nasce da Filosofia: estes pensadores foram os primeiros físicos. Eles buscavam compreender o mundo físico por meio da observação e da lógica, estabelecendo as bases para o método científico moderno.
Artigos relacionados
Escrever comentário
O que lhe pareceu o artigo?
Imagem: definicionabc.com
A origem da Filosofia: passagem do mito ao logos