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O que era um quilombo e como estava organizado

 
Por Maria Antônia Rocha. 4 maio 2022
O que era um quilombo e como estava organizado
Imagem: Reprodução/MultiRio

Um dos temas mais importantes na disciplina de História no currículo da Educação Básica é a História do Brasil. Desde o marco oficial do descobrimento do país até os dias atuais, diversos acontecimentos impactaram na trajetória da nação. Entre eles, a escravização de indígenas e africanos. A escravidão dos negros africanos começou na era colonial, ainda nos anos de 1500, e só foi oficialmente extinta mais de 300 anos depois, no Brasil Império de 1888, com a promulgação da Lei Áurea.

Mas o processo de resistência dos negros à escravização sempre esteve presente em território brasileiro. Os quilombos são exemplos de formas encontradas pelos escravizados de se reunir e lutar contra aquela realidade. Se você ainda não sabe o que foram essas comunidades, neste artigo do umCOMO vamos te ensinar. Aqui, você vai aprender o que era um quilombo e como estava organizado. Continue a leitura para mergulhar no assunto!

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O que eram om quilombos?

Quando a pergunta é "o que era o quilombo", a resposta é simples. Os quilombos eram comunidades independentes formadas por negros africanos escravizados que fugiram do cativeiro. Essas comunidades existiram em diversos territórios de Norte à Sul do Brasil durante o período colonial (1500-1808) e imperial (1822-1889).

A principal motivação para o surgimento dos quilombos, na época, era fugir das péssimas condições de trabalho impostas pela escravidão e do tratamento violento e desumano que as pessoas escravizadas recebiam por parte dos "senhores da casa grande", com castigos físicos e torturas constantes. Os negros africanos buscavam fugir das senzalas para tentar viver uma nova realidade, livre da servidão.

A organização do quilombo, por si só, era símbolo da resistência negra, que nunca aceitou passivamente a escravidão. Os escravizados que fugiam e eram descobertos sofriam duras consequências, na tentativa de desestimular que outras pessoas tentassem fazer o mesmo.

E como eram chamados os habitantes dos quilombos? O nome utilizado para denominar aqueles que integravam essas comunidades é quilombolas. A palavra "quilombo", cuja origem é o idioma banto angolano, significa povoação ou fortaleza onde os guerreiros se preparavam para o combate. O próprio significado desse termo já demonstrava o enorme potencial de resistência dos quilombolas, que estavam preparados para lutar pela sua liberdade.

Se você quer se aprofundar nesse aspecto tão relevante da História do Brasil, pode se interessar também por: O que são quilombos.

Como estavam organizados os quilombos?

Como estavam organizados os quilombos? As comunidades quilombolas eram estruturadas de forma complexa. De forma geral, os quilombos ficavam localizados em lugares isolados e de difícil acesso, que dificultavam que os senhores de engenho os alcançassem e tentassem recapturar os negros fugidos. Dentro dos quilombos, os negros africanos podiam voltar a cultivar suas tradições, práticas religiosas e elementos culturais de seus países de origem.

Além disso, muitos quilombos não eram formados apenas por ex-escravizados. Muitos dos mocambos - como também eram chamadas essas comunidades - também acolhiam indígenas, escravizados alforriados, brancos pobres, mestiços, entre outras pessoas que tentavam sobreviver ao regime da época.

De acordo com as descobertas históricas, a organização do quilombo era parecida com a das aldeias africanas. Havia uma divisão de tarefas e todos trabalhavam em prol da subsistência, praticando agricultura, caça, pecuária e pesca. Há registros de quilombos que mantinham relações comerciais com outras comunidades livres para garantir sua sobrevivência.

Como era a vida nos quilombos?

A resposta para a questão "como era a vida nos quilombos" é dura. Apesar de terem liberdade, os escravizados reunidos em comunidades quilombolas vivam sob a ameaça frequente de ataques e tentativas de recaptura dos senhores de engenho, os "donos" de escravos. Os quilombolas temiam não só pela iminência de serem capturados novamente como também pela possível destruição de suas comunidades, caso o ataque dos senhores de engenho fossem bem-sucedidos.

Por isso, a vida nos quilombos incluía a construção de mecanismos de defesas contra as possíveis investidas dos senhores escravagistas, como barricadas, armadilhas e cercas ao redor das aldeias. Os quilombos também eram espaços onde os fugitivos traçavam estratégias para tentar libertar outros escravizados, seja através de fugas ou da compra da liberdade através da alforria. Assim, fica evidente como o processo de resistência à escravidão era contínuo nesses agrupamentos.

O Quilombo de Palmares

O Quilombo de Palmares ficou marcado como a maior comunidade de fugitivos escravizados que existiu na História do Brasil. A comunidade, que estava situada na região da Serra da Barriga, no Alagoas, chegou a agrupar cerca de 30 mil pessoas e era formada por aldeias menores, como Subupira, Arotirene, Zumbi, entre outras.

Por conta de seu tamanho, a comunidade era alvo frequente de ataques dos portugueses. O quilombo comandado por Zumbi dos Palmares resistiu bravamente até 1694, quando foi destruído em uma expedição comandada pelos bandeirantes. Os quilombolas que sobreviveram se agruparam em novas comunidades na tentativa de dar continuidade à resistência contra a escravidão.

O próprio Zumbi dos Palmares morreu em uma emboscada cerca de um ano após o ataque ao quilombo. Ele foi morto no dia 20 de novembro de 1695, data que hoje é marcada oficialmente como Dia da Consciência Negra. Até hoje, o Quilombo dos Palmares é considerado um símbolo importante da luta contra a escravidão e também da resistência negra atual, o movimento antirracista, que busca lutar contra toda forma de racismo estrutural em nosso país.

Quilombos no Brasil nos dias atuais

Apesar de muita gente achar que os quilombos pertencem a um passado distante, a verdade é que até hoje existem comunidades quilombolas em todo o território brasileiro. São grupos de descendentes que mantém tradições da época e continuam lutando pelo processo de reconhecimento de seus territórios, para que tenham o direito à terra assegurado e respeitado.

De acordo com dados oficiais do governo brasileiro, hoje existem pelo menos 3.475 comunidades quilombolas espalhadas por 24 estados da federação. A Constituição Brasileira de 1988 não só reconhece a existência dos quilombos contemporâneos, como também dispõe sobre os direitos dessas comunidades. De acordo com a lei, é assegurado aos quilombolas o direito à propriedade de seus territórios coletivos, isto é, a posse da terra onde vivem.

Além da própria Constituição, a Convenção 169 Sobre Povos Indígenas e Tribais da Organização Internacional do Trabalho também garante o direito dessas comunidades no Brasil e em toda a América Latina.

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Bibliografia
  • MULTI RIO. Resistência negra: Brasil teve quilombos de norte à sul. Disponível em: <http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/17171-resist%C3%AAncia-negra-brasil-teve-quilombos-de-norte-a-sul> Acesso em: 18 de abril de 2022.
  • CONGRESSO EM FOCO. Os quilombos e a prática da liberdade. Disponível em: <https://congressoemfoco.uol.com.br/blogs-e-opiniao/colunistas/os-quilombos-e-a-pratica-da-liberdade/> Acesso em: 18 de abril de 2022.
  • COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO DE SÃO PAULO. Quilombolas no Brasil. Disponível em: <https://cpisp.org.br/direitosquilombolas/observatorio-terras-quilombolas/quilombolas-brasil/> Acesso em: 18 de abril de 2022.

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