Como vivem os ciganos no Brasil
As comunidades ciganas estão espalhadas por todo o mundo. São conhecidas como comunidades nômades que estão sempre em movimento. Já não é bem o caso, pois muitas famílias já se fixaram em países e estão inseridas em outras comunidades.
No entanto, mantêm sempre a sua cultura e tradições onde quer que se encontrem.
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Um pouco sobre a origem dos ciganos
Segundo consta na história, os ciganos são originários da Ásia, mais precisamente da Índia. Estima-se que tenham tido origem em castas inferiores e que, em busca de melhores condições, começaram a dirigir-se para o ocidente.
Como povos nômades que são, foram começando a vir para o oeste e acabaram por chegar à Europa.
É difícil saber a veracidade dos fatos todos em relação à história dos povos ciganos, mas segundo o que foi passado, ao chegarem à zona que é conhecida hoje como Romênia e Bulgária, foram escravizados pelas populações locais, ficando "presos" nessa zona durante muito tempo. No século XV, o Rei Sigismundo II da Boêmia (República Checa) concedeu-lhes um salvo-conduto, dando assim origem à sua libertação.
Vendo-se livres, uma nova grande onda de migração, conhecida como a primeira diáspora, ocorreu e as comunidades ciganas espalharam-se pelo resto do continente europeu, eventualmente passando para as Américas do Norte e do Sul.
Essa trajetória histórica reflete a resiliência e a determinação dos ciganos em manter suas tradições e adaptar-se a novos ambientes, mesmo diante de grandes adversidades. Ao longo dos séculos, eles desenvolveram uma rica tapeçaria cultural que continua a influenciar diversas sociedades ao redor do mundo.
Os ciganos no Brasil
As comunidades ciganas chegaram ao Brasil durante o século XVI, expulsas como degredados de Portugal.
Aos homens que cometiam delitos no reino, era dada a escolha de serem presos e mortos ou de se submeterem ao degredo para as colônias. Primeiro, começaram a ser enviados para a África e, pouco mais tarde, também para o Brasil, para povoarem as regiões dos sertões nordestinos, que eram habitadas por índios.
Durante os séculos XVII e XVIII, foram muitas as famílias ciganas deportadas para o Brasil pelo Reino. A grande maioria pertencia ao grupo dos Calon.
Durante os séculos XIX e XX, os grupos Roma também começaram a ter visibilidade no Brasil, formando hoje o segundo maior grupo cigano do país.
É interessante notar como a chegada dos ciganos ao Brasil não apenas influenciou as comunidades locais, mas também moldou, de certa forma, o cenário cultural brasileiro, contribuindo para a diversidade que caracteriza o país.
Os ciganos Calon
Este foi o primeiro grupo de ciganos a chegar ao Brasil. Expulsos do reino, foram enviados para a colônia para ajudar na povoação de certas zonas.
Sua comunidade tem influências das suas passagens pela Turquia, Grécia, Espanha e Portugal. Eles se distinguem pelo estilo de vida, pela língua e pelas relações de parentesco.
Vivem do comércio tradicional de carros e ferramentas, eletrodomésticos e também da agiotagem. As mulheres ajudam sendo cartomantes e trabalhando como videntes nas cidades. Montam acampamentos em zonas descampadas que compram ou alugam.
Estão hoje em dia espalhados por todo o Brasil, sendo conhecidos dezenas de acampamentos diferentes.
Deparam-se com problemáticas sociais, culturais, políticas e de pluralismo, devido à falta de políticas de integração, à diversidade de línguas, valores e crenças religiosas de família para família, e à falta de organização interna para uma representação junto das outras comunidades.
A luta por reconhecimento e direitos é uma constante, e muitos ciganos Calon estão se esforçando para preservar suas tradições enquanto buscam um equilíbrio com as exigências do mundo moderno. Além disso, o fortalecimento dos laços comunitários tem sido uma estratégia essencial para enfrentar os desafios que surgem.
Os ciganos Roma
O grupo Roma chegou ao Brasil durante os séculos XIX e XX, vindos do Leste Europeu. Têm muitos subgrupos diferentes, sendo os mais conhecidos os Calderara, que trabalham com ferro, como ferreiros, os Machvaia, oriundos da Sérvia, os Lovara, conhecidos como negociantes de cavalos, e os Boiash, ligados às artes circenses.
São as famílias que ainda se consideram mais puras e em que algumas ainda são nômades. Mais tradicionais e mais difíceis para aceitarem as políticas de integração.
O desafio de manter suas tradições em um mundo em constante mudança é significativo, mas muitos ciganos Roma veem nisso uma oportunidade de demonstrar a riqueza e a importância de sua cultura. Através de iniciativas comunitárias, eles buscam maior visibilidade e compreensão por parte do público em geral.
Como vivem as comunidades ciganas no Brasil
As comunidades ciganas no Brasil, tal como em todo o mundo, continuam a viver um bocado à margem da sociedade. Têm os seus acampamentos, onde convivem apenas com suas famílias. No entanto, existem já muitos que começam a integrar-se nas cidades e a viver em casas junto das outras comunidades.
As políticas de integração são difíceis de aceitar e muitas vezes acabam por não funcionar. Existe ainda muita discriminação contra estas comunidades, por serem sempre associadas a roubos e a pessoas de menor estirpe. O que normalmente não temos muita noção, é que são grupos que trabalham muito e que merecem oportunidades como as outras comunidades. É claro que também eles próprios têm que aceitar o progresso. E aceitar que a melhor forma de manterem as suas tradições vivas durante mais tempo é deixarem as suas crianças estudarem, para que estas possam passar sua cultura além da família.
É um passo que todos temos de dar em direção a um mundo mais tolerante.
Por outro lado, o fortalecimento do diálogo entre os ciganos e as autoridades locais pode abrir caminho para soluções mais eficazes e inclusivas, promovendo um entendimento mútuo que respeite as tradições ciganas enquanto busca por uma coexistência harmoniosa.
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- Povos Ciganos / Romani (Ministério da Saúde)