Desde 1901, anualmente, o Comitê Norueguês do Nobel concede o Prêmio Nobel da Paz, um prêmio que se tornou um dos reconhecimentos mais influentes do mundo. Seu principal propósito é distinguir pessoas, organizações e movimentos que tenham contribuído de forma extraordinária para a paz, para o avanço dos direitos humanos, para a cooperação internacional e para a resolução de conflitos, especialmente os bélicos.
Nomes tão ilustres como Martin Luther King Jr., Nelson Mandela, Teresa de Calcutá, Malala Yousafzai ou Barack Obama são alguns dos laureados mais inspiradores. A seguir, no umCOMO elaboramos uma lista com os ganhadores do Prêmio Nobel da Paz mais importantes. Descubra a história e suas figuras mais destacadas e entenda como suas ações impactaram o mundo.
Martin Luther King Jr. – 1964
Martin Luther King Jr. recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1964. O pastor e ativista norte-americano tornou-se um símbolo da luta pelos direitos civis e pela igualdade racial nos Estados Unidos, um impacto que permanece vivo até hoje. Quando recebeu o prêmio, Martin Luther King Jr. tinha apenas 35 anos, tornando-se, naquele momento, a pessoa mais jovem a receber a honra.
Ao observarmos sua trajetória, destaca-se seu papel de liderança em campanhas não violentas: desde marchas pacíficas até discursos multitudinários e boicotes aos ônibus, ações que, sem dúvida, impulsionaram mudanças fundamentais no país, como a Lei dos Direitos Civis de 1964. Até hoje, o legado de Luther King Jr. inspira movimentos contra o racismo e promove a justiça social no mundo todo, graças a discursos tão inspiradores e influentes do século XX, como I have a dream.
Nelson Mandela - 1993
Outro nome icônico e amplamente reconhecido que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1993, foi Nelson Mandela, que dividiu o prêmio com Frederik de Klerk. Ambos foram homenageados por seu trabalho conjunto e ativo no desmantelamento do regime do apartheid, um sistema de segregação racial e discriminação imposto na África do Sul por uma minoria branca, vigente entre 1948 e 1994.
Mandela recebeu o prêmio após passar 27 anos preso e se tornar um dos líderes morais de maior impacto internacional, sempre comprometido com a reconciliação, evitando uma guerra civil no país e abrindo caminho para a democracia na África do Sul.
Mas, se há algo pelo qual todos lembramos o ilustre Nelson Mandela, é por ele ter sido o primeiro presidente negro da África do Sul, um marco que conquistou graças a valores que também o transformaram em uma figura global de paz, sua filosofia do perdão, o incentivo à unidade nacional e seu inquestionável respeito pelos direitos humanos.
Madre Teresa de Calcutá - 1979
Teresa de Calcutá, popularmente conhecida como Madre Teresa de Calcutá, é outra figura incontestável da paz mundial. Ela dedicou toda a sua vida ao serviço das pessoas mais pobres na Índia, graças à fundação das Missionárias da Caridade, que hoje estão presentes em todo o mundo.
Em 1979, o Comitê Nobel destacou seu trabalho humanitário com enfermos terminais, órfãos, pessoas com hanseníase e indivíduos em situação de rua, premiando-a com o Nobel da Paz.
Sua atuação incansável em Calcutá, região que também lhe deu o nome ao ser canonizada como santa pela Igreja Católica, transformou-a em símbolo de solidariedade e fé. Sua congregação, sob sua liderança, cresceu até contar com milhares de irmãs em mais de 100 países, todas dedicadas ao trabalho humanitário. Embora sua figura tenha sido alvo de debates em algumas ocasiões, é inegável a dimensão universal de sua missão assistencial, que lhe rendeu esse grande reconhecimento.
Malala Yousafzai - 2014
Com apenas 17 anos, Malala Yousafzai tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz. Ela recebeu o prêmio em 2014, quando, após sobreviver a uma tentativa de assassinato pelos talibãs no Paquistão, transformou-se em uma das maiores vozes de referência mundial na luta pelo direito das meninas à educação.
Malala é símbolo do ativismo juvenil e da resistência pacífica contra o extremismo, algo que registrou no livro I am Malala, do qual é coautora. Além disso, por meio de sua fundação, o Malala Fund, ela promove hoje diversas iniciativas destinadas a melhorar o acesso à educação em países com desigualdades estruturais.
Barack Obama - 2009
Outra grande figura da história e da política que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, especificamente em 2009, é Barack Obama, que ganhou o prêmio no início de seu primeiro mandato, em reconhecimento à sua visão e ao impulso para a redução de armas nucleares, à cooperação internacional e à diplomacia multilateral.
Embora sua escolha tenha gerado muito debate, o prêmio destacou seus esforços para melhorar a imagem internacional dos Estados Unidos, promover a diplomacia em conflitos e incentivar o diálogo intercultural. Obama foi, inclusive, um dos responsáveis por acordos diplomáticos importantes da época, como o tratado START com a Rússia, que limitou o arsenal nuclear estratégico.
Rigoberta Menchú Tum - 1992
Ativista indígena guatemalteca, Rigoberta Menchú Tum é outro nome fundamental quando se fala do Prêmio Nobel da Paz. Em 1992, ela foi reconhecida por sua intensa defesa dos direitos humanos e por dar visibilidade à violência durante o conflito armado na Guatemala, especialmente aquela cometida contra povos indígenas maias.
Rigoberta tornou-se referência mundial graças às suas numerosas denúncias contra a repressão estatal e ajudou a sensibilizar a comunidade internacional sobre o genocídio maia, algo que narra em sua autobiografia Me llamo Rigoberta Menchú y así nació la conciencia. Seu excelente trabalho continua até hoje por meio de programas educativos e de proteção dos direitos indígenas.
Wangari Maathai - 2004
Bióloga, ativista ambiental, política e firme defensora dos direitos humanos no Quênia, assim foi Wangari Maathai, a primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel da Paz. O prêmio chegou em 2004 graças ao seu enfoque pioneiro, que uniu ecologia, democracia, luta social e empoderamento feminino para alcançar desenvolvimento sustentável, democracia e paz no país.
Sem dúvida, o trabalho de Wangari Maathai demonstrou que todos esses aspectos são inseparáveis, ou seja, a preservação do meio ambiente está diretamente ligada aos direitos humanos, à igualdade de gênero e à estabilidade política. Em 1977, a ativista fundou o Green Belt Movement (Movimento Cinturão Verde), uma organização que começou como um programa comunitário de plantio de árvores para combater a desflorestação no Quênia e que cresceu até se tornar um dos projetos continentais de maior impacto, permanecendo ativo até hoje e inspirando movimentos globais que conectam meio ambiente, paz e justiça social.
Aung San Suu Kyi - 1991
Aung San Suu Kyi é outro dos grandes nomes que se destacam quando se fala do Prêmio Nobel da Paz. Líder política birmanesa e filha do herói da independência, Aung San, ela se tornou um símbolo global da luta pacífica pela democracia em Burma, atual Myanmar.
Em 1991, enquanto permanecia em prisão domiciliar, o Comitê Norueguês do Nobel concedeu-lhe o prêmio, destacando sua luta não-violenta, seu impulso pelos direitos humanos e a força moral de sua resistência pacífica. Embora anos depois seu legado tenha sido marcado por seu silêncio e falta de ação diante da perseguição contra a minoria rohingya, é inegável que Aung San Suu Kyi segue sendo uma figura fundamental para compreender a história e a política recente de Myanmar.
Yasser Arafat, Shimon Peres e Yitzhak Rabin - 1994
Yasser Arafat, Shimon Peres e Yitzhak Rabin receberam conjuntamente o Prêmio Nobel da Paz em 1994 devido à sua participação decisiva na assinatura dos Acordos de Oslo, em 1993, um marco diplomático que buscou estabelecer as bases para uma paz duradoura entre israelenses e palestinos. Embora esses acordos não tenham conseguido encerrar o conflito, foram reconhecidos como um dos avanços mais significativos do século XX na tentativa de resolver um dos confrontos históricos mais longos do mundo.
Na foto referente a esse Prêmio Nobel, aparecem essas três figuras:
• Yasser Arafat, presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e figura central do movimento nacional palestino;
• Shimon Peres, arquiteto do processo de paz e figura histórica do Estado de Israel;
• Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel e general que se tornou líder da paz.
Todos eles são nomes que marcaram profundamente o século XX.
Theodore Roosevelt - 1906
E concluímos com o vigésimo sexto presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, que foi o primeiro norte-americano e o primeiro presidente em exercício a receber o Prêmio Nobel da Paz, em 1906. Roosevelt foi uma figura essencial na política internacional do início do século XX, embora tenha entrado para a história por suas políticas internas progressistas e por seu trabalho como mediador em conflitos internacionais, algo que marcou um ponto de inflexão na diplomacia global.
O Comitê Nobel destacou sua capacidade de negociação, seu enfoque pragmático baseado em diplomacia ativa e sua visão internacional, que permitia impulsionar soluções multilaterais. Sua política externa inovadora, com reformas e medidas importantes, não só lhe garantiu esse prêmio icônico, como também deixou um legado que perdura até hoje, estabelecendo as bases do papel global dos Estados Unidos no século XX.
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