O sotaque da região Sul é um dos mais distintos do Brasil, devido à sua rica cultura e origens que remontam à época da colonização. A maneira de falar de um sulista possui diversas peculiaridades que englobam mudanças na gramática, na pronúncia e nas expressões, o que o diferencia do restante do país. A fala de um gaúcho é tão única que é facilmente reconhecida apenas ao ouvi-lo falar!
Se você está curioso para descobrir como os nascidos e criados no sul do Brasil falam, quais são as diferenças em relação a outros sotaques marcantes e também como imitá-lo de forma correta, confira abaixo nossas dicas de como aprender o sotaque gaúcho.
Use o “tu” na gramática
Para falar o “gauchês”, uma das características mais marcantes é o famoso uso do “tu” e suas conjugações como “ti”, “teu”, “tua” e “contigo”. Ou seja, os gaúchos preferem usar o “tu” em vez de “você”. Contudo, conjugar corretamente os verbos é algo opcional e quase pouco usado pelos mais jovens. Não há problema em usar o pronome na segunda pessoa, mas conjugar o verbo na terceira. Exemplo: “tu é esperto”, em vez de “tu és esperto”. O mesmo se aplica ao uso de “vocês” em lugar de “vós”, que seria a forma correta pelas regras do português. A flexibilidade na conjugação é uma das marcas da identidade linguística gaúcha.
Capriche nas vogais
Na fala do gaúcho, as vogais são mais fortes e nasais que em outros sotaques do Brasil. Por exemplo, o “a” adquire um som similar ao “â” ou “ã”. Para ilustrar melhor, perceba que existem palavras que os gaúchos pronunciam como se houvesse mais de uma sílaba tônica. Esse peculiar modo de pronunciar as vogais contribui para a musicalidade do sotaque, tornando-o inconfundível e fascinante para quem não está acostumado.
Fale cantando
Outra característica da pronúncia é a fala mais prolongada no final das palavras, onde as últimas vogais soam “arrastadas”, enquanto o início e o meio da fala são rápidos. Isso acaba gerando a conhecida sensação de uma fala “cantada”. Ou seja, fala-se rapidamente, mas alonga-se no final, de forma tônica, criando um ritmo de canção! Porto Alegre é especialmente conhecido por essa peculiaridade. Essa entonação melodiosa é parte essencial do sotaque gaúcho e pode ser comparada a um tipo de assinatura vocal dos habitantes da região.
Puxe o “R”
Ainda na pronúncia, é comum enrolar o “r”. É similar ao paulista, porém mais prolongado. A impressão é de que o “r” leva o som de vários “rrrr”. Se você é familiarizado com a língua espanhola, pode-se dizer que o som do “r” gaúcho lembra o de um espanhol. Essa característica confere um charme especial à fala e está presente em diversas palavras, tornando a identificação do sotaque quase imediata. Essa semelhança com o espanhol não é casual, mas sim resultado da proximidade geográfica e das influências culturais entre os países.
Se expresse por gírias
Além de todos esses truques na fala, há ainda uma lista de gírias usadas pelos sulistas. Elas dão vida aos sentimentos e sensações que são difíceis de se expressar. Os mais famosos são: “bah!” (interjeição similar a “puxa”, usada para expressar surpresa ou admiração); “tchê” (usada em qualquer situação como pronome de tratamento); “tri” (indica que algo é “muito legal”); “capaz” (interjeição que pode expressar indignação, usada com “bah! capaz!” para expressar espanto ou sozinha com diferentes significados, como “imagina” ou “que coisa!”); "guri" (menino ou "guria" para menina). Essas gírias são fundamentais para a comunicação no dia a dia e refletem a identidade cultural do povo gaúcho.
Abuse das expressões locais
Além das gírias dos gaúchos - que são usadas conforme eles acham melhor, por isso a dificuldade de explicar onde se encaixam na fala - há também expressões locais, específicas de quem vive pela região. Aprender algumas delas é essencial para imitar um gaúcho! Algumas expressões são: “aguentar o tirão” (lidar com uma situação difícil); “andar pelas caronas” (estar com dificuldades); “arrastar a asa” (estar interessado, apaixonado); “botar os cachorros” (usar xingamentos); “é tiro dado e bugio deitado” (ter certeza de algo); “faceiro que nem guri de calça nova” (muito alegre, feliz); “índio velho” (“brother”, amigo, parceiro); “lamber a cria” (mimar os filhos); “largartar” (ficar de bobeira); “me caiu os butiá dos bolso” (expressão de surpresa ou espanto). Essas expressões enriquecem a comunicação e são um reflexo da vivacidade e criatividade do povo gaúcho.
De onde veio o sotaque gaúcho?
É preciso conhecer um pouco de história sobre a região sul para entender de onde vem esse sotaque tão diferente! Esse jeito de falar teve origem com os colonizadores de variadas regiões de Portugal, como Porto, Lisboa e Alentejo. Cada grupo de portugueses falava de um jeito, por características da área em que moravam. Além disso, os espanhóis também tiveram grande influência na criação do dialeto gaúcho. O resultado foram mudanças significativas na sonoridade, semântica e significados das palavras para quem convive nessa região. Além disso, por ter diferentes grupos de influência, com modos distintos entre si, a região sul ganhou também sotaques que variam entre regiões. Na divisa com a Argentina e o Uruguai, por exemplo, o sotaque gaúcho chega a lembrar a fala castelhana. Essa diversidade linguística é um dos tesouros culturais do Sul do Brasil, e entender suas origens ajuda a apreciar ainda mais a riqueza cultural da região.
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